Em período de campanha eleitoral eu me sinto uma pessoa privilegiada. Sou abraçado, cumprimentado e respeitado pelos políticos 'famosos' que diariamente aparecem em algum meio de comunicação.

Estes homens ou mulheres que discursam - em alguns casos, divinamente bem e dizem defender a nação brasileira, visitam minha casa e elogiam desde o jardim até um gatinho adoentado (prestes a morrer) e, completando o cinismo, dizem que eu mereço muito mais do que já tenho (eles se referem a saúde, saneamento, educação, etc). E, de fato, eu mereço mesmo! O problema é que não tenho nada disso satisfatoriamente. No entanto, tenho algo valioso para eles: o voto.


O meu voto pode ser decisivo em uma disputa eleitoral, então me bajular ou agradar com medidas paliativas é algo indispensável. Mas, insuficientes para conquistar a minha confiança.

Para você ter uma ideia, o meu voto é tão importante que sou obrigado a comparecer à zona eleitoral. Nem que seja apenas para anular ou votar em branco. O não comparecimento, resulta em danos reais na minha vida.

No entanto, um politico sair enchendo as meias e calças de dinheiro público ou distribuir entre seus aliados, parece não ser nada demais. Não chega nem a ser considerado formação de quadrilha. Na verdade, é apenas ajuda mútua (risos).


A minha vontade era que todos os cidadãos pudessem deixar de lado a paixão exacerbada por esses engraçadinhos - discípulos de Nicolau Maquiavel, e passassem a jogar no ritmo deles.

Parafraseando trecho de "O Príncipe - principal obra catequizadora dos políticos, a população deveria eleger um novo representante reconhecendo o erro de seu pensar anterior e descrente daquele bem-estar futuro que havia sido prometido pelo antecessor. Porém, o voto de muitas pessoas tem o valor de uma carrada de areia, pneu de moto, emprego, afagos e mais afagos.

Concluo, então, que - se assim continuar, os políticos serão eternos discípulos de Niccolò di Bernardo dei Machiavelli e nós eternos eleitores ao invés de cidadãos.





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