20 de fevereiro de 2014



O Manual de Jornalismo Investigativo, autoria de Mark Lee Hunter, foi disponibilizado pela UNESCO na última terça-feira (18) em Português e espanhol.

A obra lançada em 2009, é reconhecida por jornalistas da área em todo o mundo e tem sido referência para aspirantes e veteranos. O livro é leitura obrigatória para quem busca saber como começar e terminar um trabalho investigativo com qualidade e ética. 

A relíquia (não menos que isso, risos), é dividida em 8 sensacionais capítulos, sendo um verdadeiro passo a passo que reúne métodos e técnicas básicas sobre investigação jornalística. Além disso, o Manual defende a produção de pautas investigativas a partir de histórias hipotéticas. Eis a diferença entre os demais existentes por aí!


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O sistema defendido pelo Manual de Jornalismo Investigativo

O Manual explica que para se desenvolver uma pauta investigativa é preciso objetividade, assim como na produção, por exemplo, de uma monografia. Segundo a publicação, dizer que "quer investigar a corrupção" não é proposta que se faça ao editor. 


Nas minhas palavras, explico. É como chegar para o professor orientador de uma monografia e dizer que pretende falar sobre o rádiojornalismo. Não, não dá. É preciso especificidade!

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Logo, o Manual completa dizendo que, ao invés de investigar a corrupção, é melhor dizer que "a corrupção no sistema escolar tem destruído as esperanças dos pais de que os seus filhos tenham vidas melhores". Em seguida, o Manual explica que essa é uma afirmação hipotética.


O Manual de Jornalismo Investigativo, de Mark Lee Hunter, elenca 5 vantagens da investigação a partir de histórias hipotéticas:

1 - Uma hipótese lhe dá algo a se verificar, ao invés de tentar descobrir um segredo
2 - Uma hipótese aumenta suas chances de descobrir segredos
3 - Uma hipótese torna mais fácil gerenciar seu projeto
4 - É um método que pode ser usado infinitas vezes
5 - Uma hipótese praticamente garante que você entregará uma história, e não somente uma massa de dados

No entanto, o Manual adverte que "o método pode ser perigoso. Afinal, se você cair na tentação de querer provar a qualquer custo que sua hipótese é verdadeira, você se juntará à fileira dos mentirosos profissionais do mundo".

O autor explica que o objetivo de uma investigação vai além de provar que você tem razão. O objetivo é encontrar a verdade. Uma investigação baseada em uma hipótese é uma ferramenta que pode cavar um boa medida da verdade, mas ela também pode cavar uma profunda cova para os inocentes. Nesse ponto, lembrei do caso Escola Base. Não que os jornalistas tenha usado a hipótese (talvez até tenham), mas como exemplo do quanto uma investigação errônea pode matar socialmente uma pessoa.

Para entender sobre a Escola Base, recomendo a leitura das seguintes postagens na Casa dos Focas:


O Manual de Jornalismo Investigativo ainda apresenta um estudo de caso de investigação baseada em hipótese: A tragédia da lei Baby Doe (1982). 

Ficou curioso? Então faça o download do Manual de Jornalismo Investigativo.

Boa leitura!

*Com informações da ONU e UNESCO






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