28 de novembro de 2013



O jornalismo literário é uma forma de escrever que preza pelo aprofundamento da apuração, verticaliza a escrita, trabalha personagens e detalha a notícia.

Esse modelo surgiu nos Estados Unidos, 1960, após um grupo de jornalistas ficar cansado da mesmice dos textos produzidos por jornais e revistas. A partir daí, portanto, profissionais da imprensa começaram a deixar de lado a preocupação com o fato e a notícia para produzir textos que trabalhavam a reflexão, o imaginário e a divulgação de obras literárias.

Essa forma de escrever, que os estadunidenses chamaram de new journalism, no Brasil, foi batizada de “jornalismo literário”.

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A reportagem deixava de ser um simples relato para se transformar num texto que reconstruía detalhes a partir da experiência do jornalista. O trabalho passou a valorizar a figura do repórter e deu-lhe liberdade para se concentrar em minúcias da reportagem. O registro de gestos, cenários, sensações, diálogos e roupas tornou-se importante para o relato jornalístico.

Tom Wolfe, um dos precursores do novo jornalismo estadunidense, ressaltou, na época, a importância do diálogo para definir personagens e a necessidade da identificação do leitor com as personagens que compõem a reportagem. De algum modo, a corrente iniciada por Wolfe contagiou outros jornalistas daquela geração como Gay Talese, Norman Mailer, Truman Capote.

A apuração continuava sendo de base jornalística, mas o texto apresentava recursos inovadores como narrativa, desenvolvimento de personagens, imaginação e estilo individual. No Brasil, pode-se dizer que o estilo chegou em 1966 com o lançamento da revista Realidade, que tinha em seu corpo editorial profissionais preocupados com a verticalização da pauta, da apuração e da narrativa.

Para o jornalismo literário, mais importante do que veicular imensa quantidade de notícias é concentrar na qualidade de cada reportagem. A vertente ignora regras do lead e, por meio da singularidade de cada matéria, abre caminhos próprios para o jornalista concentrar em minúcias da reportagem.

O jornalismo literário se caracteriza, portanto, por matérias interpretativas e bem apuradas. Segundo Tom Wolfe, a tendência do gênero pode ser resumida por estes três princípios: “É possível se divertir com os fatos”; “é bom ter voz própria”; e “é importante correr riscos e experimentar”. Ou seja, tudo aquilo que o jornalismo convencional não ousaria pensar.

Além desse potencial estético do jornalismo literário, o grande diferencial oferecido pelo estilo é a autonomia concedida ao repórter. Nesse gênero, o jornalista tem tempo e liberdade para trabalhar textos centrados em detalhes e elementos sensoriais que confundam, inclusive, a experiência pessoal com o tema abordado.

Porém, diante disso, é válido perguntar: Isso é jornalismo ou literatura baseada em fatos reais? Até onde é possível distorcer a realidade sem prejuízo do que precisa ser transmitido?


Outra forma de continuar se aprofundando sobre esse tema é visitar o site da jornalista Letícia Castro, ela fez uma série de posts sobre o assunto. 

* Texto retirado da monografia de Lídia Porto Martins, apresentada em 2005 na UNICEUB e disponível na web. 







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