A entrevista dessa vez é com o jornalista Pedro Rodrigues. Ele é jovem, recém-formado, leitor compulsivo e admirador do jornalismo politico. Começou como estagiário em Assessoria de Comunicação, apresentou programa radiofônico e hoje trabalha na Rádio Ccom, do Governo do Piauí.

Pedro é filho do multiprofissional [risos], Toni Rodrigues e Pedrina, professora. Ao ser indagado sobre a relação com o patriarca ele é enfático ao dizer; "conversamos mais sobre experiência de vida do que profissional".
Nessa entrevista ele fala sobre carreira, mercado e compartilha suas experiências e opiniões. Ele também revela como foi, cursando o segundo período de jornalismo, receber a noticia da queda do diploma.
Pedro Rodrigues

Quando perguntado sobre mercado de trabalho, Pedro adverte que precisamos nos agarrar com as possibilidades de crescimento. "O leque de oportunidades no jornalismo é muito grande e o jornalista deve abraçar vendo em cada área específica uma chance de ascender profissionalmente", enfatiza.

A entrevista completa você acompanha abaixo. Aproveito e agradeço a atenção que o jornalista Pedro Rodrigues dedicou ao blog. Companheiro, um muito obrigado!



Pedro, como foi o teu início de carreira?
Meu primeiro estágio foi como Assessor de Comunicação da Secretaria Municipal de Juventude de Teresina [Piauí]. Lá pude ter o contato mais humano que a profissão pode oferecer, o que sempre me interessou. Conversei com a juventude, constatei muitos dos seus anseios ao criar releases e distribuí-los para a mídia impressa. Foi um período muito gratificante. Aquele contato com os jovens me encaminhou para uma certeza: estava no caminho desejado.

Antes de prestar vestibular pra jornalismo você pensou em tentar outro curso ou já estava decidido? Como foi essa escolha?
Sabe, eu sempre pensei em dois cursos: o de direito e o de jornalismo. E sabia que o que viesse primeiro embarcaria sem pensar duas vezes. Assim embarquei no jornalismo depois de duas tentativas falhas de tentar aprovação em direito na Uespi e Ufpi, no mesmo período. 

Desistiu do Direito?
Ainda não desisti do pensamento. Decidi que voltaria a tentar o direito quando me formasse.

Teu pai, Toni Rodrigues, jornalista, teve importância na decisão pelo jornalismo?
Indiretamente, foi a importância mais decisiva para a escolha do jornalismo na minha vida. Desde muito cedo o via trabalhar por horas a fio e aquela sede de quem nunca perdeu a paixão por noticiar fatos me atraiu.

Pedro Rodrigues ao lado dos pais, Toni e Pedrina.
Por que você diz que teu pai foi importante indiretamente?
Falo indiretamente, por que em casa sempre tive o livre arbítrio para tomar minhas decisões. Nada foi imposto. Fiquei tão à vontade que terminei escolhendo o jornalismo, mesmo meu pai sabendo que eu poderia correr as mesmas dificuldades, ameaças e tudo o mais que um jornalista sofre no exercício da sua árdua - mas gratificante - profissão. 

Teu pai apresenta programa de rádio. Você gosta desse veículo de comunicação?
O rádio me encanta e acredito que vai me encantar por muito mais tempo do que imagino. Com o rádio as informações são assistidas com mais facilidade e por um público bem maior.


Você já teve experiência de trabalhar com rádio. Como foi?
Apresentei um programa aos sábados com a companheira de trabalho, e também de turma, Thaís Alencar, na rádio FM Cultura. A roupagem do programa era jovial. Daí em diante, o contato com o rádio só estreitaria. Atualmente trabalho na rádio Ccom, da comunicação do Governo do Estado.


"O leque de oportunidades no jornalismo é muito grande e o jornalista deve abraçar vendo em cada área específica uma oportunidade de ascender profissionalmente"


Tem algum tipo de mídia que te chama mais atenção? Por quê?
Todas em especial me atraem. O leque de oportunidades no jornalismo é muito grande e o jornalista deve abraçar vendo em cada área específica uma oportunidade de ascender profissionalmente. Pretendo se possível, trabalhar boa parte delas. Ainda disponho de muito tempo. Mas sempre me amarrei em tevê. Talvez por guardar boas lembranças do tempo em que meu pai apresentou um jornal de bancada vespertino numa emissora local. Para ele foi uma experiência profissional incrível, que o proporcionou uma maior visibilidade do seu trabalho. Acredito que pra mim, um dia também será, e vai depender acima de tudo do destino!

E o que dizer da tua formação em jornalismo. Como foi o teu curso?
Já conclui e, confesso, não foi lá dos melhores. Talvez tenha sido assim por pura birra ou rebeldia sem nenhuma causa palatável ou justificável. O CEUT nos ofereceu ótimas condições para tanto. Sei que poderia ter me dedicado mais e integralmente nele [curso]. Mas tenho consciência que prestarei contas daqui para frente.

Logo no início da tua graduação o STF decidiu pela não obrigatoriedade do diploma. Como foi receber essa notícia?
Estávamos rumando para o segundo período, com uma turma de quase quarenta alunos, pretensos futuros jornalistas, quando nos deparamos com a decisão tomada pelo STF de derrubar o diploma de jornalista. Aquilo gerou imediatamente um conflito interno em mim. Ao passo em que, ao meu redor, muitos colegas abandonavam o jornalismo para cursar fisioterapia ou enfermagem.

A turma no período seguinte não contava mais da metade de alunos do que tinha no anterior. Senti que aquela subtração de ânimo só seria locupleta anos depois quando o Senado aprovou uma PEC restabelecendo a obtenção obrigatória do diploma para o exercício da profissão no País.

A paixão inicial que você tinha pelo jornalismo é a mesma?
O que posso dizer é que às vezes se apresenta com menor ou maior intensidade. Mas nunca deixou de existir. Tenho inspiração dentro e fora de casa, para coexistir esse amor que nutro pelo jornalismo. Eu seria um inconsequente se não sentisse o que sinto.

Como é ter um pai jornalista?
Digo que possui um lado bom e ruim nessa história toda. O pior lado são as comparações que nunca deixarão de existir. Sempre fui muito avesso a isso, a comparações. O mais legal e gratificante é saber que meu pai através de seu ofício sempre procurou melhorar o mundo dando a sua contribuição, e enxergo isso na receptividade das pessoas que ele ajudou e continua a ajudar quando me contam dos seus feitos.

Pedro Rodrigues e Toni Rodrigues (pai)
Você aprende muito com o seu pai? Existe uma troca de experiências sobre jornalismo?
São inúmeras as referências e os exemplos que tomo para mim. Contudo, conversamos mais sobre experiência de vida do que profissional. O nosso contato é mais intenso aos fins de semana, quando conversamos sobre amenidades e obviedades. E ainda sobra tempo para discutirmos assuntos políticos, o que fazemos durante a semana inteira também.


Pedro, hoje vivenciamos um novo modo de fazer jornalismo onde as novas mídias impõem um certo ritmo. Como é tua relação com essas novas mídias?
São relações proveitosas. Tiro proveito delas para me informar sobre qualquer tema discutido no momento, que necessitam de observações mais criteriosas. Então, consigo achar quase tudo o que procuro nelas.

Certa feita, o professor de jornalismo Américo Abreu, nos trouxe em sala um artigo referente ao “bombardeio de informações” proporcionado pelas novas mídias. Isso pode se tornar perigoso tanto para o cidadão comum, consumidor de notícia, quanto para o comunicador. Com a revolução digital, passamos a receber diariamente informações demais. Ou você faz uma triagem daquilo que passa a receber como informação ou termina sendo atingido no meio desse bombardeio.

Qual a tua opinião sobre o jornalismo no Piauí?
Temos jornalismo para todo gosto no Piauí. O que mais me interessa é o político. Mas temos jornalistas notáveis nas mais variadas especializações. No político, temos os jornalistas Zózimo Tavares, Arimateia Azevedo, Elivaldo Barbosa, Toni Rodrigues e outros iguais e menos importantes. 

Como você observa o jornalismo político no Piauí?
Sobre o modo de fazer jornalismo político no Piauí, ainda carece de mais nomes que surjam para fazer coro aos que já citei. Os desmandos na esfera pública ainda acontecem em grande quantidade e somente com uma imprensa mais fortalecida podemos continuar combatendo esses desmandos praticados por gente poderosa.

Recentemente você criou um blog (Blog do Pedro Rodrigues). Qual o objetivo dele?
O objetivo principal é informar a população de Altos sobre as ações do poder público municipal, tanto do legislativo quanto do executivo. Esse tem sido o foco que continuo a dar para o blog desde a sua criação. Notícias de gastos da prefeitura em contratação de empresas para construção de obras, contratação de alimentos para instituições públicas de ensino, aquisição de equipamentos para o hospital tem sido temas recorrentes no blog. 

Como é que tá a audiência do projeto?
Hoje conta com mais de 20 mil visualizações – o que não é pouco quando se trata de uma cidade do tamanho de Altos, e principalmente, da população que utiliza a internet. O blog tem pouco mais de sete meses de existência.

Pra finalizar, qual livro você leu que recomenda pra gente?
O livro que eu recomendo é o de Fernando Gabeira “Onde está tudo aquilo agora? Minha vida na política”, que re-leio pela segunda vez em menos de um ano. É um livro incrível onde o autor relata os últimos quarenta anos de política do Brasil e sua militância na política partidária. Aproveita ainda para nos dar uma aula de jornalismo e de civismo. Todo jovem jornalista deve aprender com os ensinamentos indeléveis que Gabeira tem a nos passar. 

Conclusão
A ideia do blog continua, vamos compartilhar experiências! Se você é estudante de jornalismo, profissional ou professor e tem vontade de participar concedendo uma entrevista, entre em contato. Será um prazer!

Caso queira apenas publicar um texto sobre nossa área, demonstre seu interesse e seja sempre bem-vindo!

Fotos: Reprodução/Facebook - Pedro Rodrigues


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