10 de agosto de 2013



As crenças e superstições nos levam a acreditar que cruzar com um gato preto é sinal de desgraça pela frente. E tem gente que acredita mesmo na conversa! Eu nunca me deixei levar pela onda mas, quando entrei na universidade, percebi que a coisa faz sentindo.

Durante os quatro anos da graduação, seja ela qual for, é possível que apareça um professor agourento. Aquele tipo que quando deixa a sala, a gente olha pra cara dos colegas em um profundo silêncio e aquela sensação de que algo ruim vem pela frente. Uma sensação de que estamos em um filme de terror, ouvindo pisadas atrás da gente, mas quando olhamos não tem nada. Porém, permanecem o medo e a dúvida. O professor que provoca essas e outras reações, é o famoso "gato preto" da universidade [risos].


O "professor gato preto" pode ser identificado através de inúmeras características, principalmente, por nos deixar com dúvidas - igualzinho quando cruzamos com o felino verdadeiro. Esse tipo de professor faz a gente passar horas ou dias pensando sobre determinado assunto. Será que é assim mesmo? Eu entendi errado ou é essa a intenção dele; me deixar com dúvidas.

Na verdade, tem professor que complica mesmo a parada pra nos obrigar a buscar outras fontes de estudo. Logo, esse não é o "gato preto". O verdadeiro professor agourento é aquele que nos deixa com dúvida sem intenção. Na verdade, ele tem um sério problema de oratória, pouco conhecimento da disciplina ou conheceu, durante sua formação, um 'gato preto' e agora quer transmitir a experiência vivida [risos].

Características do "professor gato preto"
Embora eu diga que a principal característica é a dúvida que ele deixa na mente dos alunos, acrescento outro forte ponto; o discurso de terrorista.

"Vamos combinar algumas coisas. Nossa aula tem início em horário X, então se você chegar X minutos atrasado, fica com falta. Você precisa ter responsabilidade! Outra coisa, quando eu solicitar um trabalho quero recebê-lo até a data marcada, caso contrário, fica sem nota. E tem mais [...]"

Pronto, depois do discurso a gente imagina; "porra, ele/a deve se garantir no assunto da disciplina e, de cara, é chato pra caralho"!

Também imaginamos; "ele deve ser bem mestre ou doutor, pra toca o terror assim. No mínimo, vamos aprender alguma coisa"!

Balela, Conversa fiada. É um professor substituto, formou-se um dia desses e fez uma especialização e agora se acha  uma bala. Só se for aquela famosa bala de hortelã pipper de cinco centavos [risos]!

As aulas do "professor gato preto"
O período começa e lá vem ele com um discurso na ponta da língua, ensaiado há dias. Na verdade, treinou depois que recebeu a ementa do curso!

Apronta slides e fica lendo pra turma. Até parece que ninguém sabe ler. Após a leitura ele remenda feito costureira em início de carreira e pergunta;

"Vocês entenderam? Alguma dúvida?"

Pronto, agora é que lasca tudo! Quando a gente pergunta, aí é que o bicho pega. O professor, nervoso, fica gago e desconversa com uma malandragem de discurso que até parece andar fazendo parceria com o "Capilé fora do eixo". Se quiser entender essa colocação, recomendo que veja a entrevista dos idealizadores da Mídia Ninja no Roda Viva.

O fato é que ele, quando tenta explicar complica mais. É que nem @#*#*, quando mais mexe, mais fede!

É nessa hora que tomamos conhecimento do "gato preto". A partir da primeira aula, começam as dúvidas. É como se tivéssemos cruzado com um felino preto e ao longo do dia ficamos com aquela dúvida se a desgraça vem agora ou mais tarde.

Logo, lembro-me da fala de Emílio Coutinho, estudante de jornalismo que entrevistei um dia desses. Em um momento de nossa conversa ele advertiu:

"O estudante não pode [ficar bitolado] somente no que é passado pelos professores. Acho que o aluno deve ir para a faculdade para tirar dúvidas, apresentar novas propostas. Sua formação deve ser procurada no dia a dia, através de outros cursos e leituras. Enfim, o estudante deve mergulhar no universo jornalístico".

Leia a entrevista completa com Emílio Coutinho

Nesse caso, recomendo; não tente tirar dúvida com o "gato preto"! O restante do conselho é válido pra todos nós. Nessa estória toda tem um pouco de verdade. Emílio, em outra parte da entrevista, revela ao falar sobre evasão de alunos de jornalismo;

"O que me deixa mais triste é a pressão [lembra que eu falei sobre o discurso terrorista, risos] feita por alguns professores que, por "não ir com a cara" de certos alunos, os desmotivam inferiorizando os mesmos. Acho que a faculdade já faz um processo de seleção natural, e quem tem perfil para ser jornalista normalmente consegue concluir o curso, mas alguns não aguentam a pressão dos professores e acabam abandonando o curso pela metade. Pretendo dar aulas de jornalismo, fazer mestrado, etc. E já fiz o propósito de não desmotivar ninguém, o jornalismo é apaixonante e deve ser ensinado por quem se integrou para esta carreira com amor".

Conclusão
Eu poderia continuar falando sobre o "professor gato preto", mas acho que já deu pra perceber o quanto é perigoso cruzar com ele. Então, prepare-se pra encarar o "gato preto" da universidade.

Se bem  que infelizmente, por um motivo ou outro, alguns professores que cruzam nosso caminho na universidade são piores do que gato preto [risos]. Mas, lembre-se: a narrativa do gato preto da universidade é tão verdadeira quanto a do felino real.

Antes de criticar o texto, busque ler sobre teoria do iceberg. Um abraço!


* Esse texto é uma prova real de quando não temos o que fazer.






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