4 de julho de 2013



José Arbex Junior afirma, no livro Shownarlismo, que os meios de comunicação, em especial a televisão, influenciam fortemente na vida das pessoas, a ponto de confundi-las sobre o que é ou não vida real. Como exemplo ele menciona a morte da atriz Daniela Perez, assassinada em 1992, que na época interpretava a personagem Iasmin na novela De corpo e alma (levada ao ar de agosto de 1992 a março de 1993).



Sobre esse fato o autor destaca que a ação da Globo de incluir o desaparecimento de Daniela num capítulo solene da telenovela, foi um momento de cumplicidade catártica absoluta com os telespectadores onde, segundo ele, a partir de então foram apagadas todas as distâncias entre ficção e “vida real”. Para Arbex, esse episódio atesta, de maneira exemplar, a capacidade da televisão de criar mundos “reais”. 


Segundo José Arbex, a partir da ficção – mesmo quando apresentada como ficção – a televisão é capaz de mobilizar as pessoas, criar debates e forjar um simulacro de “participação”. Porém, ele destaca que em algumas ocasiões, muito raras, o mecanismo hipnótico da simulação e espetacularização do mundo pela televisão se rompe, permitindo identificar claramente a sua estrutura, alcance e profundidade. 

Um desses momentos raros aconteceu no Brasil, no inicio de setembro de 94, quando se discutia o Plano Real. Em determinada oportunidade, sem saber que estava sendo gravado, o ministro da Economia, Rubens Ricupero, afirmou que o Plano Real era mesmo um artificio para captar votos para FHC. Ainda mais revelador foi ele dizer que não tinha escrúpulos, completando com a afirmação de que se fatura com o que é bom, e se esconde o ruim.

Tudo, segundo Arbex, era um processo de simulação onde a televisão era o veículo que conduzia essa falsa transparência. Naquele momento, de uma forma muito direta, foi colocado em questão o papel da televisão, seu estatuto como instrumento de criar, falsear e destruir mundos e “realidades”. Naquele instante, diz o autor, onde esperávamos ver a realidade, vimos a destruição da fantasia que a própria televisão criara.

Finalizando, José Arbex Junior completa dizendo que a “realidade” graças à indiscrição de Ricupero, provou que poderia ser bem distinta da mostrada diariamente ao girar de um botão. Segundo ele, nesse momento quebrou-se a “relação hipnótica” com a televisão.

Logo, por tudo que foi exposto, a televisão é indiscutivelmente uma máquina de simular o mundo. Uma máquina de espetáculos.

Recomendo que você leia urgentemente o livro Shownarlismo - A notícia como espetáculo!






Comentários: