27 de julho de 2013



O jornalismo alternativo da MÍDIA NINJA virou o fenômeno midiático do Brasil em 2013. O trabalho, todo desenvolvido dentro do Facebook, tem forte engajamento de leitores e agora o coletivo NINJA pensa em lançar um site e buscar financiamentos para deixar os limites da rede social.

No entanto, enquanto as mudanças não chegam, os NINJAS continuam no meio dos acontecimentos transmitindo tudo "sem cortes e sem censura" a partir de aparelhos celulares e dispositivos 4G.

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A página MÍDIA NINJA OFICIAL criada em 27 de março de 2013 tem mais de 132 mil fãs e continua crescendo de uma forma jamais vista e nem alcançada por nenhum outro meio de comunicação. Além disso, seus seguidores interagem fortemente compartilhando o conteúdo postado.

MÍDIA NINJA planeja criação de site
Bruno Torturra, o jornalista mais experiente da turma, destacou em matéria da jornalista Natalia Mazotte, do Knight Center, que os trabalhos da MÍDIA NINJA estão limitados por estarem apenas no Facebook, mas ressalta que já está sendo feito um planejamento para desenvolvimento do site. “Nossa capacidade jornalística está limitada no Facebook, de modo que tudo está mudando muito rápido pra que a ideia de site que vinha sendo discutida pudesse ser colocada no ar. Precisamos sair do Facebook para conseguir explorar melhor as possibilidades editoriais. Pensamos em algo como um portal que fosse também uma rede social”, explica Torturra. Sobre a forma de financiamento do grupo o jornalista completa dizendo: “estamos pensando maneiras de nos financiar com dinheiro público, mas que não seja estatal.”

Embora se discuta a criação do site, o coletivo não aponta uma data pra lançamento. Mas, fica a certeza de que os NINJAS devem continuar apresentando esse formato de jornalismo, mesmo com o fim das manifestações populares.  

Significado de MÍDIA NINJA?
Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação (NINJA)

Quando surgiu a NINJA?
O grupo foi lançado oficialmente em março deste ano [2013] durante o Fórum Mundial de Mídia Livre, na Tunísia, e só emplacou em junho [2013], mas o surgimento foi em 2011.

+ MÍDIA NINJA;
Mídia NINJA: um fenômeno de jornalismo alternativo que emergiu dos protestos no Brasil
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O jornalismo alternativo da MÍDIA NINJA

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As acusações sobre MÍDIA NINJA são respondidas 
Entrevista com Bruno Torturra
Bruno Torturra, integrante mais conhecido da MÍDIA NINJA, respondeu algumas perguntas ao jornalista André Forastieri sobre o coletivo. A entrevista é muito esclarecedora e merece sua atenção. Reproduzo, abaixo, apenas uma parte da entrevista publicada no R7 - um dos melhores portais de jornalismo do Brasil.

*AF - André Forastieri / BT - Bruno Torturra

Segue o trecho da entrevista

AF - A Mídia Ninja é uma empresa? Será no futuro? Tem fins lucrativos?
BT - Não é e nem será uma empresa. A ideia é nos tornarmos uma fundação, instituto... a figura jurídica não sabemos ainda, mas não terá fins lucrativos como uma empresa convencional de comunicação.

AF - Qual é o orçamento da Mídia Ninja?
BT - Não sei responder. Não fizemos essa conta, nem acho uma conta realista de ser feita nesse ponto, já que as despesas costumam ser pagas de acordo com a situação, colaborativamente, ou com alguma saída não monetária.

AF - Quantas pessoas têm a equipe? O que elas fazem? São contratadas? Recebem salário?
BT - A primeira pergunta também é difícil de responder, já que temos dezenas de pessoas colaborando em diferentes níveis de envolvimento. Um núcleo pequeno e crescente, de umas 15 pessoas, que trabalha em dedicação integral ao projeto. Outros estão bem próximos, colaborando com frequência, mas que ainda não estão disponíveis o dia todo. E há um número maior de pessoas que colaboraram vez ou outra, enviaram uma foto, deram uma pauta, emprestaram um equipamento, arriscaram uma transmissão. O mais importante é que temos mais de 1500 inscrições, de todos os estados do Brasil, mais de 150 cidades, de gente querendo se envolver no projeto. Com as mais diferentes propostas e expectativas.

O que elas fazem? Não há cargos por enquanto. Nem sabemos se haverá. As funções costumam ser definidas organicamente, de acordo com a situação e a demanda da hora. Desde dar uma carona para a equipe, até dar plantão ao vivo em uma delegacia, ficar em casa dando suporte de informação para quem está na rua... Ninguém é contratado nem recebe salário. Nem há como nesse ponto. Como disse, não somos uma empresa.

AF - Existem planos para a Mídia Ninja gerar receitas no futuro? Quais são eles?
BT - Sim. No futuro bem próximo. Temos pensado em quatro diferentes modelos simultâneos de buscar financiamento para a Mídia Ninja. O primeiro é um crowdfunding inicial, para equipar melhor a MN, e bancar uma estrutura melhor de estúdios, e nosso site. Outro é, em seguida, lançar um sistema de assinatura mensal, de baixo valor, para gerar uma receita estável e previsível que viabilize os custos do dia-a-dia da MN, produção de reportagens, manutenção de equipamentos e, possivelmente, começar a gerar alguma receita para os que se dedicam integralmente ao projeto.

O terceiro são contas para doações para reportagens e temas específicos. Por exemplo: montar um time de 3 ou 4 pessoas, que pretendem reportar sobre questões indígenas no Mato Grosso, outra dupla dedicada a cobrir somente prefeitura de São Paulo, outro time quer investigar transportes... cada um terá um orçamento, cachês inclusos, específico. É uma forma não só de viabilizar jornalismo investigativo, mas engajar mais o público na produção de matérias.

O quarto é um sistema de microdoações, R$1, R$2... para peças específicas. Um texto, uma foto, um vídeo, um blog de autor. Essas pequenas doações não serão debitadas na hora. Funcionará mais como um botão de "like' no site. No final do mês o leitor recebe uma conta com o valor e a lista de tudo que ele "curtiu". Paga se quiser e quanto quiser. Essas doações vão direto para o autor do material em questão.

AF - Os integrantes do Mídia Ninja são na maioria jovens sem experiência, usando equipamento comum e tecnologia simples. Qualquer um pode fazer o que a Mídia Ninja faz? O que impede a mídia tradicional de botar jovens com câmeras nas ruas?
BT - A maioria é jovem, mas a falta de experiência é relativa. Muitos já trabalhavam com comunicação, tem mais familiaridade com redes e tecnologia do que a maioria dos jornalistas de carreira. E estão nas ruas há tempos, convivendo e articulando com os movimentos sociais. Conhecem bem o território onde estão. A tecnologia é relativamente simples. O principal é estar disponível e sem medo de dar a cara a tapa. Algo muito difícil de ser reproduzido pela mídia tradicional já que ela se pauta por cargos, cargas horárias, compromissos editoriais, interesses comerciais e um comprometimento de seus funcionários com o veículo cada vez menor.

AF - O Fora do Eixo é parcialmente financiado pelo governo federal, assim como o Pós-TV, em que você tem um programa. A Mídia Ninja se considera independente?
BT - O Fora do Eixo é sustentado, essencialmente, por seus próprios recursos, vindos de centenas de festivais, eventos culturais e atividades produzidas pela rede em mais de 200 cidades do Brasil. E, sobretudo, por um caixa coletivo. Já que nenhum real se torna lucro ou salários pessoais, mas paga um sistema de compartilhamento, esse recurso rende muito mais do que o esperado.

Sim, há recursos públicos no Fora do Eixo. Todos editais, públicos e auditados, que qualquer indivíduo ou coletivo pode disputar. Isso não é "dinheiro do governo", "dinheiro do PT". Isso é política pública e se dá em nível federal, estadual e municipal, independente do partido. Nenhum desses editais foi direcionado para a Mídia Ninja. E sim, a Mídia Ninja se considera totalmente independente. Assim como a PósTV.

AF - Alguns petistas no Twitter começam a fazer críticas à Mídia Ninja. A que você atribui isso?
BT - Depende da crítica. Se você se refere aos que acham que somos reacionários, tucanos disfarçados, atribuo ao tipo governismo tonto e paranóico que não faz mais nada a não ser tuitar. Um pessoal que acha que qualquer um que não diz amém a tudo que o PT faz é golpista, quinta coluna, etc. Nem perco meu tempo.

AF - Você trabalha para a Rede Globo como roteirista do programa Esquenta. Vê alguma contradição entre este vínculo e seu trabalho com a Mídia Ninja?
BT - Não trabalho mais. Foi uma função que ocupei por menos de um ano, remotamente em São Paulo. E é bom que se diga: saí por total incompetência minha. Era uma equipe ótima, muito aberta a ideias. E nunca me cobraram ou questionaram meu envolvimento com a PosTV, Mídia Ninja ou com ativismo em SP. Eu que não consegui cumprir com as expectativas mínimas que depositaram em mim por estar absolutamente envolvido com os bastidores da Mídia Ninja, articulação do Existe Amor em SP. Lamento não trabalhar mais com Hermano, Ronaldo, Paula, Patrícia... turma boa. Mea culpa.

AF - Daqui um ano temos eleições. A Mídia Ninja vai apoiar candidatos? E você, pessoalmente?
BT - Não acredito que a Mídia Ninja vá apoiar candidatos. Não acho que pelo tamanho que rede terá, pela fauna ideológica que vamos juntar, seja possível apoiar alguém como veículo. Pessoalmente, por que não?

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