7 de julho de 2013



Furo no jornalismo significa ineditismo. É a notícia em primeira mão. Porém, aplica-se a qualquer publicação, ou seja, notícia, foto, vídeo ou entrevista publicados com exclusividade, antes que os demais concorrentes. Tanto pautas frias quanto quentes podem render um bom furo jornalístico, tudo vai depender de contatos e fontes que o jornalista possui.

Quando trata-se de uma pauta quente e as informações precisam ser redigidas para publicação imediata, exige uma certa habilidade de escrita por parte do repórter. Por isso, é importante que o jornalista seja um bom escriba e tenha o domínio do português.

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O que dizem os teóricos sobre o assunto?
O ineditismo é um dos critérios de noticiabilidade, então, logo nos levará a buscar furos de reportagem através da criação das notícias que, segundo Fernando Correia, é sempre uma interação de repórter, diretor, editor, constrangimentos da organização da sala de redação, necessidade de manter os laços com as fontes, os desejos da audiência (...)” (apud CORREIA: 133).

O Manual de Redação da Folha de São Paulo, considera o furo como uma “informação importante e correta que apenas um veículo de comunicação divulga”. No entanto, o manual adverte que “a busca do furo não dispensa o cuidado com a qualidade e quantidade das informações publicadas cotidianamente”.

Quais as vantagens do furo no jornalismo?
O furo jornalístico, quando de forma correta, contribui para o fortalecimento do veículo de comunicação e representa para os jornalistas um troféu máximo da categoria e um atestado de qualidade e eficiência jornalística, por parte da empresa.

Qual o perigo do furo jornalístico?
Quando a busca pelo furo jornalístico passa por cima das orientações, por exemplo, do Manual da Folha de S. Paulo, pode acabar em processos judiciais contra o veículo de comunicação e jornalista ou prejudicar fortemente pessoas inocentes. Um exemplo foi o caso Escola Base, que recentemente [28/03/2013] foi relembrado em matéria do Portal R7 através de uma narrativa com fotos e legendas.


Exemplo de furo jornalístico com ética e profissionalismo




Como exemplo de furo jornalístico destaco a matéria do jornalista Rômulo Maia, do Portal O Dia. Na madrugada do dia 07 de julho de 2013 ele publicou, por volta de 2h30 da madrugada, a notícia da morte do estudante Paulo Patrick, atropelado durante manifestação que reivindicava a redução do valor da tarifa do transporte coletivo de R$ 2,10 para R$ 1,75 em Teresina (PI).

No momento da publicação eu estava online no Facebook e logo, em busca de um furo para o blog, sai pesquisando qual portal já tinha publicado o fato. Resultado, nenhum. Pelo menos os que eu acessei, ainda não tinham nada.

Aqui vão os "prints" da capa dos portais mais acessados do Piauí que visitei no momento em que a matéria do Rômulo foi publicada no O Dia;


























O furo jornalístico diante do webjornalismo ou novas mídiasEmbora “O texto seja posto em movimento, em fluxo contínuo, vetorizado metamórfico, próximo ao movimento do pensamento” (FURTADO, 2006) quando falamos da internet, vejo que o furo jornalístico ainda existe e vai continuar sendo um ponto, embora não seja mais tão forte, pra conquistar o leitor. No que diz respeito ao jornalismo em outros suportes técnicos, o furo jornalístico será mais raro, porém, no meu modo de pensar, não deixará de existir enquanto trabalharmos com pautas frias como, por exemplo, as investigativas.

Ah, recomendo que você leia uma entrevista que a Época publicou com o jornalista e historiador Robert Darnton. Na publicação intitulada "O furo do jornalismo é eletrônico", Darnton fala sobre as novas atribuições da profissão repórter e sobre o futuro do jornalismo.







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