20 de julho de 2013



O estudante Emílio Coutinho, criador da Casa dos Focas, é filho de jornalista, irmão de publicitário e sua mãe trabalhava em uma empresa de propaganda. No entanto, o jovem disse "não acreditar que tenha sido influenciado [somente pela família] na sua escolha".

Ele revela que acabou motivado a seguir os passos do pai, Maurício Coutinho, após a leitura do livro Teorias do Jornalismo, de Felipe Pena.

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Graduando-se pela Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado), Emílio já cursou Filosofia, é bacharel em Teologia e, nas horas vagas, tem sede de conhecimento. "Leio bastante e procuro prestar atenção nos telejornais, analiso tudo. Em matéria de leitura, estou no sexto livro desde que saí de férias" revela.

Emílio Coutinho (esq.) ao lado do jornalista Roberto Cabrini / Foto: Facebook
Emílio também nos deixa conselhos. "O estudante não pode [ficar bitolado] somente no que é passado pelos professores. Acho que o aluno deve ir para a faculdade para tirar dúvidas e apresentar novas propostas. Sua formação deve ser procurada no dia a dia, através de outros cursos e leituras. Enfim, [devemos] mergulhar no universo jornalístico" adverte o estudante.

Emílio Coutinho é o primeiro estudante de jornalismo a ser entrevistado pelo Ferramentas Foca. Nessa conversa, ele revela o que tem feito pra se destacar no mercado de trabalho, compartilha suas experiências, emite opiniões sobre nossa área de formação e deixa dicas importantes.

"Prefiro passar por burro e depois saber, do que passar por sábio e ficar com uma eterna dúvida". 

Como você se define?
Sou um estudante de jornalismo que gosta de perguntar e se incomoda muito em não saber de alguma coisa. Curiosidade é uma virtude, ou vício, mas é algo do qual eu não abandono. Fiz o propósito de sempre perguntar quando não souber de algo, por mais que isso possa gerar algum incômodo para quem é indagado. Prefiro passar por burro e depois saber, do que passar por sábio e ficar com uma eterna dúvida. Sou movido por metas e o jornalismo me abriu um longo caminho do qual ainda estou dando os primeiros passos.

Jornalismo é o teu primeiro curso?
Não, já cursei filosofia e sou bacharel em teologia.

Você já tá em qual período de jornalismo?
Estou no quarto semestre de jornalismo na Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado) localizada na capital paulista.

"O que me levou a escolher o jornalismo, foi a leitura de um dos livros do jornalista Felipe Pena (Teorias do Jornalismo). O modo como ele apresenta o jornalismo e o jornalista foram fatores que me atraíram muito."

Ser filho de jornalista foi decisivo pra você entrar na área?
Não creio que tenha influenciado muito na minha escolha, mas o que me levou a escolher o jornalismo, dentre muitos fatores, foi a leitura de um dos livros do jornalista Felipe Pena (Teorias do Jornalismo). O modo como ele apresenta o jornalismo e o jornalista, a questão da ubiquidade (estar em todo lugar) e o da onisciência (saber de tudo) foram fatores que me atraíram muito.

"Quem tem perfil para ser jornalista normalmente consegue concluir o curso".

Lembro-me de ter visto um comentário no Facebook no qual você falava sobre colegas que estão abandonando a graduação em jornalismo. Você credita essa evasão a quem/o quê?
Vi muita gente abandonar o curso de jornalismo, alguns por falta de condições financeiras, outros por motivos pessoais diversos, mas o que me deixa mais triste é a pressão feita por alguns professores que, por "não ir com a cara" de certos alunos, os desmotivam inferiorizando os mesmos. Acho que a faculdade já faz um processo de seleção natural, e quem tem perfil para ser jornalista normalmente consegue concluir o curso, mas alguns não aguentam a pressão dos professores e acabam abandonando o curso pela metade. Pretendo dar aulas de jornalismo, fazer mestrado, etc. E já fiz o propósito de não desmotivar ninguém, o jornalismo é apaixonante e deve ser ensinado por quem se integrou para esta carreira com amor.

E você, já quis deixar de lado o jornalismo em algum momento. Por quê?
Nunca quis abandonar o jornalismo, pois por mais que eu já tenha visto coisas que não concordo, creio que é possível o jornalista fazer o seu trabalho sem se vender. Sei que é praticamente impossível mudar o mundo, mas o jornalista pode ser capaz de mudar a realidade onde ele vive. Enfim, tudo depende do jornalista. Ele tem que ter bem claro o que ele quer e o que ele está fazendo. Jornalismo não é uma mera profissão e deve ser praticado com ética e responsabilidade.

Pra ser jornalista já não basta ter um bom texto. Você tem buscado novas competências que contribuem com a atividade jornalística? Quais?
Leio bastante e procuro sempre prestar atenção nos telejornais, analiso tudo, o modo como o apresentador trata uma notícia, a reação do repórter na rua, a segurança ou a falta dela durante os links ao vivo, a forma com que os jornalistas passam as notícias no rádio, os textos escritos por colegas de faculdade, jornalistas, etc. Em matéria de leitura, estou no sexto livro desde que saí de férias, procuro ler o máximo, pois durante o período de aula só tenho tempo de ler revistas jornais e os textos que os professores passam durante as aulas. Enfim, leio de tudo e tento utilizar para minha formação. Tudo pode servir como ensinamento.

"Não tem como negar, na prática se aprende muito mais, mas a teoria da faculdade é de extrema importância". 

Recentemente conversei com Roberto Denez, especialista em Gestão da Comunicação e do Marketing Institucional e Gestão Empresarial, e ele foi enfático ao dizer que o ensino de jornalismo foca muito na televisão e impresso quando deveria ser mais polivalente. Qual tua crítica sobre nossa formação?
Sobre a formação na faculdade, acho que o estudante não pode [ficar bitolado] somente no que é passado pelos professores. Acho que o aluno deve ir para a faculdade para tirar dúvidas, apresentar novas propostas, sua formação deve ser procurada no dia a dia, através de outros cursos, leituras, enfim o estudante deve mergulhar no universo jornalístico. Dessa forma, ele estará apto a atuar em qualquer plataforma midiática. O diploma é importante, a faculdade é importante, mas vejo isso apenas como uma forma de gerar dúvidas positivas, ou seja, aquela dúvida que faz com que o estudante procure se aprofundar sobre o tema.


Hoje você já trabalha na área. Qual é a tua experiência até agora? Por onde já passou?
Já escrevi artigos para uma revista impressa internacional, matérias para jornais de bairro, para a revista virtual do meu pai e atualmente trabalho em uma agência de notícias católicas. Tenho aprendido muita coisa lá. Não tem como negar, na prática se aprende muito mais, mas a teoria da faculdade é de extrema importância. Sinto-me agraciado em poder estagiar desde o primeiro semestre de jornalismo.

"Jornalista de verdade é humilde". 

No início, ao entrar no mercado de trabalho, você sentiu alguma dificuldade? Qual foi e o que fez pra superar?
Já senti dificuldade no início, mas não em matéria gramatical ou de estilo, o problema no meu caso foi enfrentar o preconceito de jornalista diplomados que me olhavam como uma pessoa inferior, por eu ainda estar começando no jornalismo. Mas aos poucos percebi que normalmente os jornalistas que são soberbos na verdade não são bons profissionais. Já estive com jornalistas de truz, tais como Juca Kfouri, Caco Barcellos e Marcelo Tas, e pude comprovar que jornalista de verdade é humilde.

Como estagiário você já cometeu algum erro e gostaria de compartilhar pra que a gente não erre também? Afinal, é melhor aprender com o erro dos outros [risos]
Um erro que cometi e nunca mais esqueci foi o de quase vender uma pauta que na verdade era uma barriga. Era uma declaração feita por uma personalidade da Igreja Católica que naquele momento era algo bombástico. Quando o editor viu, achou estranho, mas ficou impressionado pelo meu "furo". Mais tarde, quando foram averiguar perceberam que aquela declaração realmente havia sido dada pela personalidade, mas já fazia muitos meses, e o meu primeiro "furo" quase foi minha primeira "barriga". Foi aí que aprendi o que significa o termo "barriga".[rsrs] Conselho que dou é: sempre verifique a data das informações que você recebe.

"O importante não é saber se o jornal impresso vai acabar, mas ter a certeza de que o jornalismo nunca irá acabar".

Sabemos que jornalista é um clínico geral, mas você tem paixão por qual área?
Gosto do jornalismo investigativo, mas para mim jornalismo é jornalismo. E a investigação é algo que faz parte do processo jornalístico. Fiquei muito impressionado com o livro Rota 66 de Caco Barcellos e sugiro à todos estudantes de jornalismo.

Observação.: O livro Rota 66, de Caco Barcellos, pode ser adquirido na Livraria Saraiva por apenas R$ 22,40. [Consulta de preço feita em 20/07/2013]

O jornalismo impresso tem sido alvo de inúmeras “pragas”. Tem um monte de gente “botando catinga” [risos] ao dizer que vai acabar. Você, estudante, acredita nessa ideia?
Já perguntei para vários jornalistas sobre o fim do jornal impresso, e o que eles dizem é que hoje em dia a carreira jornalística está mudando e ainda não se sabe onde chegaremos. O importante não é saber se o jornal impresso vai acabar, mas ter a certeza de que o jornalismo nunca irá acabar. As plataformas mudam, mas a essência do jornalismo não. Por isso é necessário estarmos preparados para atuar em qualquer plataforma midiática.

Um bate-rebate com Emílio Coutinho rendeu algumas indicações interessantes, veja:

Programa: Profissão Repórter
Filme: O quarto poder
Livro: Rota 66
Blog: Casa dos Focas [rsrs]. Se quiser pode ser o do Duda Rangel (Desilusões Perdidas)
Jornalista: Felipe Pena
Uma paixão: Minha paixão é o jornalismo. Acho que não consigo participar de uma conversa sem falar algo de jornalismo. Já tentei.[risos] Outra paixão são livros. Devoro livros, principalmente de jornalismo ou escritos por jornalistas. Estou em fase de formação e por isso opto por ler sobre jornalismo. Já tive outras leituras, mas atualmente jornalismo é minha vida e minha opção.

O que um estudante de jornalismo dever obrigatoriamente fazer?
O estudante de jornalismo deve procurar se inteirar e estar conectado com tudo o que acontece. Ouvir rádio, ler jornais, revistas, sites, escrever muito, ler livros, assistir diversos programas na tv, filmes, enfim, tudo é bom para aprender.

E o que não deve?
O estudante não deve ter vergonha: de perguntar, de estar começando, enfim tem que ir atrás do seu sonho e lutar por ele.

Como surgiu a ideia de ter um blog voltado pra estudantes de jornalismo?

A Casa dos Focas surgiu por ideia e incentivo de meu irmão Camilo Coutinho. Ele me incentivou desde que entrei para a faculdade. Dizia-me para criar uma fanpage sobre jornalismo, mas eu achava que era algo complicado para um estudante. Qual seria o público? Jornalistas formados? Enfim, o tempo passou e eu, apaixonado pelo jornalismo só falava sobre esse tema. Até que amigos, familiares e inclusive minha noiva começaram a se cansar de ouvir eu falar de jornalismo. Aí resolvi criar uma página que seria uma espécie de amigo invisível. Na qual eu pudesse dizer o que li, o que assisti, o que ouvi e o que acho sobre jornalismo.

Além disso, comecei a divulgar alguns eventos voltados para jornalistas e aos poucos, sem eu divulgar muito, as pessoas foram começando a curtir. Minha ficha só caiu quando a página chegou aos primeiros mil fãs. Aí vi que o negócio estava ficando sério. Meu irmão disse para eu criar um blog. Achei que era outra loucura e que eu não teria como cuidar de um. Ele acabou fazendo e aos poucos eu fui aprendendo a cuidar da página. No próximo mês completaremos nosso primeiro ano. Fico muito feliz, pois graças à página já pude entrevistar vários jornalistas renomados.

Qual tem sido o maior desafio desse projeto?
O blog nunca teve fins lucrativos, apenas acadêmicos, mas temos que manter a plataforma, que é cobrada. Acho esse um desafio, pois atualmente meu irmão tem arcado com essas despesas, mas com o tempo terei que aprender a me virar sozinho, ou seja, o blog terá que se auto-sustentar. Enfim, tudo a seu tempo.

"Acho que cada estudante de jornalismo tem que sentir a experiência de escrever para um blog".

Qual a periodicidade das postagens na Casa dos Focas?
O blog da Casa dos Focas atualmente tem textos atualizados de segundo à sexta.

Pra estudantes de jornalismo que ainda não possuem blog, o que você diria?
Acho que cada estudante de jornalismo tem que sentir a experiência de escrever para um blog, mas nem todos tem coragem de assumir um. Por isso a Casa dos Focas está aceitando textos de estudantes e recém-formados em jornalismo (desde que tratem de jornalismo, do fazer jornalístico).

Enfim, nossa página acolhe e auxilia, na medida do possível, todos os estudantes de jornalismo que quiserem. Recebo muitas mensagens de estudantes perguntando se podem escrever textos para a Casa dos Focas. Eu sempre aceito, valorizo muito o trabalho e o esforço dos que enviam textos para a Casa dos Focas.

Emílio Coutinho é estudante de jornalismo na Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado), já cursou Filosofia, é bacharel em Teologia e dono do blog Casa dos Focas. Para continuar acompanhando o trabalho dele, acesse a Casa dos Focas ou curta a Fan Page.






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