20 de abril de 2013

O que é estudar jornalismo?

Estudar jornalismo é, acima de tudo, buscar fazer. É praticar. Teoria nenhuma vai ser suficiente para que você produza uma matéria satisfatória. Assim como anos de prática não serão o bastante para quem quer aprender jornalismo. 

Essa é uma profissão que, no meu entendimento, precisa de uma parcela maior de prática [conhecimento tácito] aliada à teoria [conhecimento explícito]. 

*Eu falei detalhadamente sobre esse assunto quando escrevi minha opinião abordando a importância de sabermos gerenciar o nosso conhecimento

Caso contrário, sairemos da universidade despreparados para o mercado. É isso o que acontece com muitos. Às vezes não sabem nem segurar um microfone. Desculpem-me, mas é assim mesmo que acontece. 


Aprenda a teoria, mas não deixe de praticar.

Quando falo que precisamos praticar, também me incluo. Porém, já tenho uma pequena experiência que muito contribui em alguns momentos e, às vezes, acaba me revelando o quanto eu estava errado em alguns pensamentos. 

Por tudo o que já falei até aqui, acredito que uma boa formação em jornalismo é aquela em que o estudante, logo no início do curso, entra no mercado de trabalho e começa a vivenciar o dia-a-dia de uma redação, o alvoroço de quem faz produção de televisão ou ainda a magia que é produzir e apresentar um programa de rádio. 

Lembro-me que minha primeira experiência com rádio foi frustrante. Segundos me separavam do momento de ligar o microfone. O tempo corria como nunca antes e minhas mãos suavam, tremiam e um frio inexplicável tomava conta de mim. Era chegado o momento. Em poucos segundos o microfone seria aberto e eu precisava dizer alguma coisa. Era minha estreia. Antes eu tinha ensaiado as primeiras palavras, mas na hora do vamos ver....nada....frações de segundo e eu perguntei para um colega; o que eu digo? 

O nervosismo, falta de treinamento, curso, e prática venceram-me naquele instante. O que eu consegui falar, com voz trêmula, foi a hora. Ali, notei o quanto era complicado trabalhar em rádio. A ideia de que um terço da população da minha cidade, com 40mil habitantes, pudesse estar ouvindo a programação era suficiente para me deixar apavorado. Depois de alguns minutos, voltei a arriscar e anunciei uma próxima música. Falei pouco, mas foi o suficiente para entender que precisaria melhorar em todos os aspectos. 

Embora tivesse sido o meu primeiro contato com rádio (mesmo sem jeito), foi o suficiente para despertar uma paixão que ainda invade meu peito. Conversei com meu amigo (responsável por me dar a oportunidade de conhecer esse meio de comunicação tão fascinante) por alguns minutos, ouvi rápidas dicas, entre elas a que acho fundamental; ouça rádio. Não quero dizer que você deve ouvir rádio, apenas rádio. Leia matérias, artigos de opinião e veja diversos programas de televisão. No entanto, espelhe-se nos melhores trabalhos, nos melhores profissionais. É assim que eu busco fazer, gosto do resultado.

Então, pratique. Lá no início do meu contato com rádio eu ficava horas ouvindo locutores de grandes emissoras, tanto para aprender o estilo de programação musical quanto para observar o jornalismo do rádio(Jovam Pan, Clube FM de Ribeirão Preto, Ótima FM, e muitas outras). 

Sempre gostei da forma como é conduzido um jornal em rádio. Rápido, dinâmico e objetivo. Fascinante! Ainda hoje acordo, às vezes, bem cedinho para ligar o PC e ouvir o Jornal da Manhã da Jovem Pan. Uma aula e tanto de rádiojornalismo. E assim deve ser o nosso comportamento. Mas eu não me contentava só em ouvir, eu tinha que praticar. 

Ficava no meu quarto ensaiando para o programa do dia seguinte; "agora três e vinte cinco. Pra você que acompanha a programação um forte abraço e obrigado pela audiência. O telefone pra participar é o ..... e assim, durante muito tempo eu permaneci. Minha irmã sempre me chamava de louco. E realmente eu estava, mas louco para aprender a fazer o negócio e crescer. Queria sair de rádio comunitária e entrar em uma grande emissora. Após muito tempo, deu certo. Passei dois anos na maior rádio do Norte do Piauí. Uma conquista que ainda hoje me orgulha. Uma escola que jamais esquecerei. Uma universidade pro resto da minha vida.

Portanto, digo e repito; pratique o que você aprende na universidade. Se você gosta do impresso, leia muito e escreva. A televisão é o teu forte, assista. Tente gravar alguma coisa, pratique.  Treine em casa com sua família, mas não se iluda com elogios. Sempre são bons! (kkk) Por mais ruim que tenha sido o seu desempenho, sua mãe ou pai sempre irão te elogiar. Fique esperto, não se deixe levar por elogios. Acredito que, em todas as áreas, o conhecimento teórico precisa ser aliado à prática. Pena que nem sempre a realidade permite.

E você, o que pensa sobre a formação em jornalismo? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e ajude na discussão. 

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Epifanio Santos: Locutor, quase formou-se em jornalismo. Também tentou formação em Letras-Português, mas, até agora, não conseguiu chegar ao final de nenhuma graduação. Hoje dedica-se à família, desenvolve projetos na web e trabalha na Educompany, em Teresina (PI).

4 comentários :

  1. Essas dicas são um prato cheio para aqueles que desejam se destacar na profissão de jornalista. Muito obrigado e continue postando.

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  2. Fico feliz que tenha gostado. Um abraço

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  3. Alem de serem dicas ótimas para quem deseja se destacar no jornalismo como disse o anônimo, são conselhos ótimos para outras diversas profissões. Obrigado, espero que continue postando!

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  4. Olá, Tito!

    Sim, continuarei compartilhando minhas opiniões e textos sobre jornalismo. No entanto, com uma frequência menor. É trabalhoso falar sobre técnicas de jornalismo, pois preciso de embasamento teórico para não ficar postando interpretações errôneas.

    E, aproveitando, peço que vocês não hesitem em criticar ou apontar erros!

    Um abraço

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