6 de março de 2013



A jornalista Letícia Pereira, formada em Comunicação Social: Hab. Jornalismo e Relações Públicas, é a primeira profissional a ser entrevistada pelo ferramentasfoca.com

Ela passou os últimos nove anos trabalhando na TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, onde subiu de estagiária para repórter de externa, chegando à apresentação do Piauí TV. No entanto, decidiu sair da televisão e mergulhar em um novo mercado, o empreendedorismo digital.

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Nessa entrevista Letícia revela como surgiu a paixão pelo jornalismo e fala sobre o seu novo desafio profissional. 

Quando você descobriu que tinha jeito para o jornalismo?
A gente sempre acha que tem jeito pra muitas coisas na infância. Mas aos sete anos eu adorava assistir o Jornal Hoje, sentava em frente à TV todos os dias para ver o telejornal e os repórteres e apresentadores, Valéria Monteiro, Claudia Cruz, Ananda Apple no globocopi e tantos outros profissionais que aprendi a admirar pela forma como eles contam a notícia como Neide Duarte, Sandra Passarinho, Edney Silvestre, Marcelo Canelas que informam conversando com o telespectador. Eu lia as revistas em casa em voz alta como se estivesse apresentando um jornal. Fazia isso todos os dias e por horas... Meus irmãos pediam pra eu desligar o motorzinho porque a tv já estava desligada mas o jornal na minha casa não...

Além de você, tem mais alguém da sua família que é jornalista?
Sim, o Afonso Bruno, meu sobrinho.

De onde veio sua paixão pela área?
Quando a gente se apaixona por algo, não há palavras que explique. Você deseja, te faz bem, te motiva, você sonha e vai buscar realizar.

Como foi o teu início de carreira? 
Sempre trabalhei em telejornalismo, mas aproveitei outras oportunidades até chegar lá. Passei num teste para estágio na ASCOM da UESPI, assessoria e o site da universidade. Foi maravilhoso, acompanhava a reitora na rotina dela e redigia matérias. 

Fiz estágio no Portal AZ, tinha uma coluna com outra colega de turma, e na época não deu muito certo. Fui escrever cidades, foi muito bom. Fui pro Diário do Povo estagiar. Gostei muito, sobretudo do respeito da equipe, é uma redação bem alegre. E eu admirava os textos do Zózimo Tavares e ainda admiro, assim como a outros colegas da redação do jornal. Fui pra TV Antena 10 também como estagiária. Lá aprendi muito. Obrigada Cleide Sabóia que permitiu que eu integrasse a equipe como estagiária de externa. Tinha uma fita só minha para gravar meus textos e passagens. Passei uns três meses só acompanhando os repórteres, observando como eles agiam com o entrevistado, qual a postura na passagem, no ao vivo, nas entrevistas. E todos os dias eu também gravava o meu material e depois assistia. Obrigada a todos que partilharam comigo lições de jornalismo e de vida.

Qual foi a sensação quando você chegou à Clube/Globo? 
Entrei na Tv Clube, fiquei por muito tempo e sou muito grata. É uma empresa formidável, lá aprendi muito e isso não tem preço. Passei nove anos na empresa e experimentei subir de estagiária à repórter de externa que ainda hoje é a minha grande paixão. Gosto da rua, das pessoas, de contar histórias e pra isso preciso desse contato com personagens da vida real. Lá também pude experimentar a apresentação e a edição, duas funções bem difíceis e que exigem uma sintonia incrível com toda a equipe e proporcionam uma ligação direta e com intimidade com o telespectador. Obrigada a todos pelo carinho que demonstram comigo, mesmo eu já não estando no vídeo, nas ruas as pessoas me acolhem de forma surpreendente.

Como foi até chegar a apresentação do Piauí TV? 
Acredito que devemos trabalhar, trabalhar e trabalhar. O resultado vem e cada um está onde deve. Aproveite as oportunidades por menor que elas sejam, elas lhe preparam para as grandes batalhas. É assim que vejo a vida e não desprezo as oportunidades desde o estágio na UESPI até meu último cargo na TV. O resultado de tudo vai pra nossa bagagem profissional, pessoal e humana.

Sua beleza teve importância pra que chegasse à telinha da Clube? Por quê?
Nunca ouvi isso. Nos bastidores eu gosto de usar jeans e camiseta básica, sem maquiagem e foi assim que cheguei à redação da Clube, com a minha fita embaixo do braço.

Recentemente o telespectador teve a surpresa: você sumiu da TV. O que aconteceu?
São muitas as variáveis que fazem com que você busque novos caminhos e não caberia aqui eu falar sobre elas. Tenho uma relação de gratidão, respeito e cordialidade com a família Clube. E só estou em um novo momento e em um novo desafio, como já abracei outros anteriormente até chegar aqui. Passei por muitas empresas como disse antes. A mudança é natural e porque não saudável pra nossa vida e carreira profissional.

Pretende voltar para o telejornalismo? 
A vida nos surpreende a cada momento e se houver uma boa proposta eu irei. Adoro desafios, gosto muito de trabalhar com jornalismo e gosto muito de trabalhar com telejornalismo. Mas hoje gostarei de por em prática projetos com um toque bem meu e não sei se as empresas desejam isso.

Já pensou em ter um programa de entretenimento em alguma emissora do Piauí? 
Sim, adoraria. Mas não sei se encaixaria um programa de tv e diário na minha rotina. Mas tudo depende da proposta e do que ela exige e oferece à você.

Obs: Partes a seguir estão tracejadas por não terem mais sentido, tendo em vista que o projeto citado deixou de existir.

Hoje você se dedica a um novo projeto – Dica da Lê – que é inovador e ousado. Tem sido fácil? 
Ainda não me deparei com nada fácil na vida. Mas também não sei o que é ser difícil. Sei o que é trabalhar, se dedicar em busca de resultados e se você for perseverante, fazer, refazer, fazer de novo, os resultados vão vir. Podem não ser os que você deseja porque o mercado é dinâmico e há muita gente com bons projetos que reúnem capacidades intelectual, financeira e técnica para realizar. No Dica da Lê tenho novos desafios a cada dia. Mas na vida vivemos um dia de cada vez e aprendi cedo com a minha mãe que a gente põe na mesa o que tem, se alimenta e vai atrás de outras oportunidades. Se perder tempo reclamando ou acumulando energias negativas, vai deixar de produzir nesse tempo de lamentações. Por isso, sigo em frente.


Como surgiu essa ideia de ter um site com a sua cara, literalmente falando? 
Já queria algo com a minha cara há algum tempo. Quando saí da tv pensei no que poderia fazer. Mas queria algo onde eu pudesse governar o meu mundo. Que pretensão? (rsrs)

Vi que a resposta poderia estar no empreendedorismo. Não tenho recursos para ter a minha tv, mas posso ter um site pois a internet está sendo colonizada. Fui lá e garanti o meu espaço com o www.dicadale.com.br. Pesquisei muito sobre negócios na internet, sobre economia criativa até chegar a esse formato, com a minha cara, como você disse, e com essa proposta de contar histórias e compartilhar experiências, inclusive as minhas. O site não tem modelos, são pessoas que compartilham a experiência delas em algum assunto.


Eu já ouvi críticas sobre esse seu projeto, como você as encara? 
Eu ainda não ouvi (risos). É natural que as pessoas não cheguem pra mim pra dizer o que elas realmente pensam. O novo provoca opiniões diversas. Quando elas chegarem até mim vou saber ouvir. Só depois de conhecê-las é que vou poder avaliar. Mas tudo o que existe provoca opiniões diversas, uns gostam outros não. Eu desejo é que vocês acessem o dicadale.com.br e de preferência que gostem, curtam e compartilhem. E também podem ajudar a fazer o Dica da Lê com dúvidas e sugestões de vocês.


O fato de ter trabalhando muito tempo na TV contribui para o sucesso desse empreendimento digital? 
Eu ainda não posso dizer que o Dica da Lê seja um sucesso. Ele tem um mês no ar e tem tido uma boa resposta. Mas é muito pouco tempo pra avaliar.O que sei é que estou gostando muito de fazer. E compreendo o peso que tem a imagem construída durante uma carreira profissional. A minha ainda há muitos degraus a subir, eu espero. Mas comemoro cada um deles que subi até de joelhos para chegar aqui. Reconheço que se eu não fosse uma nome conhecido na mídia local poderia dificultar o início do Dica da Lê. Mas há outros exemplos de projetos em que a pessoa não era conhecida anteriormente. O caminho pode ser mais longo ou mais curto. Veja o que você tem na bagagem pra usar e siga em frente.

Percebo que o Dica da Lê ainda passa por ajustes, quando ele vai ficar 100%? 
Nunca. Todo projeto pra se manter vivo tem que passar por mudanças. Nós passamos por mudanças todos os dias, elas ficam mais marcantes ao longo de anos que é o que chamamos de fase na nossa vida. O Dica da Lê foi planejado como um projeto muito maior isso já na base de dados dele. A proposta é falarmos de todos os assuntos que nos cercam. Como no começo temos que trabalhar com os recursos que dispomos ainda não exibimos toda a plataforma que já está no sistema. O site é dinâmico e vai ficar ainda mais quando houver maior interação com os visitantes.

A “alimentação” do site vai ser diária, semanal ou em tempo real? 
Trabalhamos com conteúdos frios. A proposta é que as pessoas possam ler e interagir com o site, por isso o conteúdo fica mais tempo na página principal. Não podemos mudar a todo o instante nesse processo em que estamos formando audiência, buscando conhecer o que deseja o visitante do Dica da Lê. Mas à medida que a família Dica da Lê aumentar vamos atender novas demandas.

Há pouco falamos sobre críticas, e os elogios? O que você já colheu após lançar o Dica da Lê?
Até agora o que tem chegado a mim é que a aceitação está sendo boa. Os relatórios de acesso mostram que cresce a cada dia o número de visitas. Cada visitante passa em média 6 minutos na minha página em cada acesso e 59% dos acessos são de iphone.


Quando você olha para trás o que te vem à mente? 
Eu não olho para trás, olho para frente. Sempre foi assim. Senti saudades de todas as redações por onde já passei, de umas mais de outras menos, gostava de algo em um lugar que já não encontrei no outro. Isso faz parte. Muitas vezes vamos mudar de casa na vida, se isso ainda não aconteceu com você, esse dia vai chegar. Mas quando a nova casa é sua, ela pode ser a mais modesta possível, a sensação de estar nela é inigualável.

Quando estudante, você sempre foi dedicada? Aluna nota 10?
Eu não sou aluna dez. Eu busco o que quero e não gosto de ficar pelo caminho. Eu sou de fazer e busco fazer o melhor, dar o melhor de mim, sempre. Mas o melhor ás vezes é concluir, é ver onde erramos e onde podemos melhorar. Se nos prendermos a sermos dez podemos gastar toda nossa energia em um único projeto onde a avaliação depende de vários fatores incluindo neles a subjetividade na avaliação de cada um. Mas eu busco ser dez, e tenho o compromisso de se não for dez, voltar e ver o que houve. Porém não me torturo quando tudo não sai como eu gostaria, pois quando nos dedicamos em fazer algo, precisamos estar dispostos a rever e fazer melhor da próxima vez. E sempre há uma próxima vez, mesmo que seja em outro contexto.

Qual sua opinião sobre o ensino do jornalismo no Piauí?
É uma pergunta muito abrangente. As universidades públicas devem oferecer melhores condições aos professores e alunos. Vejo isso do ponto de vista especialmente da UESPI, pois foi onde eu me formei em Jornalismo e Relações Públicas.

E o que falar do curso de jornalismo da UESPI?
A universidade é um espaço onde somos apresentados a autores, à pesquisa, à metodologia de pesquisa. Vamos nos deparar com dificuldades em todos os momentos da nossa vida e mesmo que tenhamos boas condições sempre vamos querer o melhor. Não podemos é nos prender à falta de condições desejadas. É como uma mãe que tem os filhos para alimentar e não tem na despensa o que gostaria de servir. Ela vai ter que preparar o almoço com o que ela tem em casa. Você acha que essa mãe vai deixar os filhos com fome?Assim é a nossa vida em todos os momentos, ou pelo menos a minha. Vejo o que eu tenho, busco saber onde quero chegar e como o que eu tenho pode se transformar em combustível. Sigo em frente! Para mim a Universidade é ponto de partida.

O jornalismo hoje passa por um momento de mudanças e adaptação diante das novas tecnologias. Como você imagina o jornalista do futuro?
Tudo depende muito do contexto e do mercado em que estamos, se local, regional ou global; da linha editorial do veículo para o qual você escreve e dos seus valores pessoais. Mas em qualquer lugar o jornalista tem o papel primordial de informar e a demanda por informação é cada vez maior. 

As novas tecnologias encurtam a distância e o tempo entre essa informação e o consumidor final dela, que é o leitor, ouvinte, telespectador e internauta. O que nós não podemos é deixar de ter o zelo em checar a informação antes de publicar; de mensurar o que realmente pode e deve ser publicado para não criar uma onda negativa e de impactos imensuráveis na vida das pessoas envolvidas. 

Precisamos lembrar que trabalhamos com informação e não com a verdade absoluta. Muitas vezes a verdade que publicamos nada mais é do que a verdade que publicamos extraída da conversa com as nossas fontes para aquela reportagem e naquele momento. Talvez se tivéssemos mais tempo, teríamos checado melhor, se tivéssemos mais tempo teríamos organizado melhor o texto, selecionado melhores imagens, ou outras fontes...Mas temos um tempo diferente no jornalismo para trabalhar a informação. E com as novas tecnologias esse tempo fica também mais reduzido. O que não podemos deixar ser reduzido é o nosso cuidado com o que vamos publicar.

Você acha que as universidades estão preparadas para formar esses futuros profissionais?
Eu não cobro da universidade o resultado do que alguém vai ser. A carreira que você vai construir é resultado de muitos fatores, mas principalmente das suas aspirações e de como você se posiciona no mercado em busca de realizá-las. Claro que também não podemos eximir das autoridades responsáveis o compromisso de investir na educação, em novas ferramentas, na ampliação e qualificação do corpo técnico e docente, nas fontes de pesquisa e na pesquisa propriamente dita.

O que você diria pra quem quer fazer jornalismo?
Digo pra qualquer pessoa, faça o que gosta, pois você vai passar a sua vida trabalhando com aquilo e trabalhar não é fácil, é duro, exige horas de estudo, dedicação e pesquisa todos os dias. Porém, é compensador você acompanhar a evolução e o resultado do seu trabalho independentemente da área que você escolheu.

E o que dizer aos estudantes?
Vá pra aula, aproveite o professor que está lá e tem muito a compartilhar com você. Converse, pergunte, leia, faça experiências de projetos na sua área ainda na universidade, conheça as pessoas que estão no mercado, o que elas fazem, como elas fazem e faça com que elas conheçam você. Crie uma rede de contatos. Conheça a sua comunidade. Estude, namore, se divirta, ame a sua família e compartilhe coisas boas com o próximo. Com isso já vai ter muita coisa na bagagem da sua vida e uma hora temos que emprestá-la ao profissional que desejamos ser.

Letícia Pereira também é professora (substituta) na Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Para continuar acompanhando o trabalho dela, acesse o Dica da Lê, siga no Twitter, curta no Facebook ou assista no YouTube

Tópico: Ferramentas Foca






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